NO 4º CONGRESSO DE DIREITO NOTARIAL E REGISTRAL DO MARANHÃO, RENATO DOLCI APONTA TENDÊNCIAS NA RECUPERAÇÃO DE CRÉDITO EM CARTÓRIOS DE PROTESTO
Paula Brito - 29/10/2026
No último dia 23 de outubro, o 4º Congresso de Direito Notarial e Registral do Maranhão, realizado no Blue Tree Hotel em São Luís, recebeu o painel "Tecnologia e Protesto - o que construímos e o que vem por aí!". A palestra foi proferida por Renato Dolci, cientista político, especialista em análise de dados e CEO da Ineo Tecnologia, com mediação de Christian Carvalho, superintendente do Instituto de Estudos de Protestos e Títulos do Brasil - Seção Maranhão (IEPTB-MA).
O encontro reuniu notários, registradores, autoridades dos Poderes Judiciário, Executivo e Legislativo, advogados, juristas, estudantes de Direito e demais profissionais do meio para fomentar o diálogo institucional e impulsionar a busca por soluções modernas que fortaleçam a segurança jurídica, a desjudicialização e a eficiência dos serviços cartorários em benefício de toda a sociedade.
Durante a apresentação, Dolci trouxe estatísticas que comprovam a expansão dos serviços extrajudiciais. “O volume de apontamentos de protesto no Brasil atingiu a marca de quase 27 milhões de títulos. Esse crescimento é impulsionado de maneira decisiva pelas Certidões de Dívida Ativa (CDAs), que já representam 52% de todos os apontamentos nacionais e podem chegar a mais de 60%”, afirmou.
O palestrante revelou um marco histórico para o segmento: pela primeira vez desde 2016, a taxa de recuperação de dívidas voltou a subir no país, saltando de 28,9% em 2025 para uma projeção superior a 30%. Segundo Dolci, essa virada resulta da mudança de mentalidade dos cartórios, que passaram a ir além da simples constituição da mora para atuar estrategicamente na cobrança e na facilitação do pagamento.
Estudos comportamentais apresentados no evento indicam que 86% dos devedores protestados sequer sabem da existência da dívida, tornando a comunicação ativa o pilar central da recuperação de crédito. Para preencher essa lacuna, os cartórios dispararam 367 milhões de mensagens multicanais entre 2025 e 2026, combinando WhatsApp, e-mail, SMS e o canal RCS — que apresenta taxa de abertura de 56% a um terço do custo do WhatsApp.
Dolci destacou a importância de oferecer conveniência ao cidadão, citando dados da plataforma digital “Resolve”, na qual 80% dos pagamentos são efetuados por pessoas físicas, com pico de acessos às 22h, e ressaltando que 40% dos devedores das classes C e D demandam a opção de pagamento via Pix parcelado.
Outro ponto alto do painel foi a consolidação da intimação digital, solução modularizada que reduz o custo médio de R$ 15,00 da intimação física por Aviso de Recebimento (AR) para R$ 4,20.
No campo das campanhas de cobrança, o programa Recupera Mais demonstrou alta eficiência ao gerar um retorno de R$ 5,00 para cada R$ 1,00 investido pelas serventias em menos de 20 dias. Paralelamente, a plataforma de inteligência de crédito Fator Protesto, que conecta dados dos cartórios ao mercado financeiro, projeta alcançar 15 milhões de consultas mensais no início do próximo ano.
Em busca de uma comunicação mais simples com a sociedade, o ecossistema adotou de forma unificada a marca "Cartório de Protesto", nome compreendido por 94% da população brasileira, em substituição a siglas técnicas de difícil memorização. Projetando o futuro próximo, Dolci anunciou o desenvolvimento de um portal nacional integrado e de um aplicativo oficial dos cartórios de protesto, previsto para o próximo ano. “O aplicativo que está sendo desenvolvido reunirá a consulta de protestos, pendências judiciais, multas, score de crédito e intimações digitais validadas via biometria facial”, ressaltou.
Finalizando o painel, o mediador Christian Carvalho reforçou aos congressistas a necessidade de manter a base de dados da CENPROT atualizadas diariamente pelos cartórios. “Essa alimentação constante da CENPROT é o pré-requisito indispensável para que as serventias de todo o país possam usufruir dos benefícios do envio automatizado de mensagens e das novas ferramentas tecnológicas de recuperação de crédito”, frisou.
Fonte: IEPTB-MA